Translator Disclaimer
1 December 2014 Distribuição Histórica e Recente de Myrmecophaga tridactyla Linnaeus, 1758 (Pilosa, Myrmecophagidae) no Estado do Paraná, Brasil
Author Affiliations +
Abstract

As informações sobre a ocorrência do tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) no sul do Brasil, em especial no Estado do Paraná, são pontuais e muitas vezes anedóticas, a despeito da sua relevância em análises conservacionistas. Este estudo pretende suprir essa carência, reunindo as informações sobre a ocorrência da espécie no Paraná, por meio de uma revisão dos relatos históricos e toponímicos, levantamento dos exemplares em coleções e da divulgação das informações inéditas próprias, e de outros pesquisadores e naturalistas. A presente revisão obteve 58 registros de M. tridactyla em 38 localidades paranaenses, sendo 19 nos últimos dez anos, que permitem afirmar que o tamanduá-bandeira apresentava ampla distribuição no Estado, ocorrendo não só em áreas abertas de Campos e Cerrados como também nas formações florestais planálticas paranaenses (Floresta Estacional Semidecidual e Floresta Ombrófila Mista). Os registros recentes, no entanto, estão concentrados nos remanescentes de Campos e Cerrado paranaense e no Parque Nacional do Iguaçu, onde predomina a Floresta Estacional Semidecidual. Considerando a extrema raridade de registros atuais meridionais, aceitando-se inclusive a possibilidade de extinção regional nos demais estados sulinos brasileiros (Santa Catarina e Rio Grande do Sul), os registros paranaenses podem se referir aos últimos exemplares de tamanduá-bandeira do sul do Brasil, o que os torna fundamentais para a conservação da espécie.

Introdução

O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla Linnaeus, 1758) ocorre em hábitats trapicais e subtropicais das Américas Central e do Sul e regiões áridas do Chaco, Cerrado e Caatinga (Wetzel, 1982; Redford & Eisenberg, 1992; Gardner, 1993). As populações dessa espécie estão diminuindo em toda sua área de ocorrência, com extinções regionais consideráveis (Nowak, 1991; Aguiar & Fonseca, 2008; Gardner, 2008), em especial na porção sul de sua distribuição. É considerado “vulnerável” (VU) em toda sua área de ocorrência (Miranda et al., 2014) e também no Brasil (MMA, 2008). No Uruguai a espécie está extinta (Achaval et al., 2004). No leste do Paraguai, no princípio do século XX, já era considerada rara (Bertoni, 1914) e desde então um declínio populacional considerável ocorreu (Smith, 2007), com situação semelhante também observada no norte e noroeste da Argentina (Crespo, 1982; Chebez, 1994; Mares et al., 1996; Vizcaíno et al., 2006). Nos estados do sul do Brasil a situação não é diferente. Em Santa Catarina não há informações sobre a espécie há mais de 30 anos (Cherem et al., 2004) e no Rio Grande do Sul, onde é considerada “criticamente em perigo” (CR) (Marques et al., 2002; Fontana et al., 2003) existem apenas indicações imprecisas recentes de sua ocorrência (Silva, 1994; Freitas et al., 2009), não havendo registros confirmados da espécie desde o ano de 1999, quando um individuo foi atropelado no municipio de São Francisco de Paula (Faria-Corrêa & Villela, 2003; Fontana et al., 2003). No Paraná, a distribuição original e a remanescente do tamanduá-bandeira não são conhecidas, embora registros eventuais estejam disponíveis em publicações recentes, relatos históricos e nos raros espécimes em coleções, os quais nunca foram divulgados adequadamente.

Margarido (1995) ressaltou que a ausência de informações bionômicas sobre o tamanduá-bandeira no Estado impedia uma avaliação segura sobre o seu status populacional. De fato, a ausência de dados, especialmente os históricos, é potencialmente um problema sério para avaliações conservacionistas. A ausência ou baixa densidade de certas espécies em uma região geográfica (política ou natural) pode ser interpretada como resultado dos impactos causados pela presença humana em si, ao contrário de um padrão natural pré-estabelecido, que pode ou não ter sido reforçado pelos mesmos. Devido a esses fatores e pela relevância biológica e conservacionista do tamanduá-bandeira, resgatamos os registros de sua ocorrência no Paraná.

Materiais e Métodos

Os registros de ocorrência foram obtidos através de consulta à literatura recente e a fontes históricas; pelo levantamento de espécimes depositados nas coleções do Museu Ecológico da Klabin Celulose — MEK até o ano de 2003, em Telêmaco Borba, e do Museu de Historia Natural Capão da Imbuia — MHNCI, em Curitiba, além da coleta de informações de pesquisadores e naturalistas de maneira informal. A fonte para cada um dos registros é apresentada junto aos mesmos de forma resumida. Esses estão acrescidos das coordenadas geográficas, altitude e fitofisionomia original predominante nos topônimos e condensados na Tabela 1.

Resultados

Relatos históricos (anteriores à década de 1980)

O tamanduá-bandeira conta com poucos registros históricos no Paraná uma vez que a fauna paranaense foi pouco privilegiada pela visita de naturalistas no século passado e anteriores (Miretzki, 1999; Straube & Scherer-Neto, 2001). O historiador português Antônio Vieira dos Santos foi o primeiro a indicar a ocorrência da espécie no Estado (Vieirados-Santos, 1945), referindo-se ao ano de 1850. As informações disponibilizadas neste trabalho requerem, entretanto, atenção na interpretação de seus registros (v. Straube & Scherer-Neto, 2001), já que a Comarca de Paranaguá com sede ao nível do mar (hoje Município de Paranaguá) abrangia no passado uma área geográfica muito maior, incluindo áreas planálticas do interior paranaense. No Paraná a planicie litorânea é separada da região planáltica (Planalto Meridional do Brasil, ˜900 m de altitude) por uma estreita faixa de serras de rochas cristalinas que se erguem acima dos 1.900 m de altitude (Maack, 1968). É provável que Vieira dos Santos tenha incluido em seu trabalho não apenas as espécies encontradas na planicie litorânea, mas também espécies do oeste da serra, já no planalto.

Outra relato foi fornecido pelo explorador inglês Bigg-Wither (1968) para “Salto de Ubá”, referindo-se ao ano de 1874, localizado atualmente entre os municípios de Manoel Ribas e Cândido de Abreu, mencionando que durante a viagem o tamanduá--bandeira era “frequentemente visto e morto [nas florestas do rio Ivaí]”.

Também Muricy (1975), de sua expedição ocorrida em 1896, traz menção à espécie para a mesma região do vale do rio Ivaí, próximo a Vila Rica do Espírito Santo (confluência dos rios Corumbataí e Ivaí), atualmente município de Fênix.

Giovanni Rossi, em sua passagem pelo Paraná entre 1890–1894, relata a ocorrência do tamanduá--bandeira nos campos gerais paranaenses, próximo a Santa Bárbara, Municipio de Palmeira: “…sobre ‘il formichiere’ ouvimos falar, mas não os vimos…”, e adiante acrescenta “…o bandeira é encontrado nas florestas virgens…[da região]” (Rossi, 1890 apud Mello-Neto, 1996). A ideia de raridade do tamanduá--bandeira na região é reforçada pela entrevista com o Sr. José Carlos da Veiga Lopes (29 de maio de 1998), proprietário da fazenda Santa Rita, área muito próxima da qual Rossi havia se estabelecido. Veiga Lopes, um atento observador da natureza, é o proprietário da fazenda e desde 1943 desconhece a ocorrência da espécie em sua propriedade. Também Auguste de Saint-Hilaire, importante naturalista francês, que percorreu aproximadamente 600 km do territorio paranaense entre janeiro e abril de 1820 (Angely, 1956), incluindo áreas do campos gerais, não faz menção à presença do tamanduá-bandeira (Saint-Hilaire, 1978).

Coube, entretanto, ao polonês Tadeusz Chrostowski (1912) a primeira informação precisa a respeito da presença do tamanduá-bandeira no Paraná, que registrou a espécie no médio rio Iguaçu, na localidade de Vera Guarani em 1910, atualmente municipio de Paulo Frontin.

Poucas décadas depois, no ano de 1950, no municipio de Amaporã, um tamanduá-bandeira foi morto a tiros (Fig. 1). Segundo moradores antigos da região “os tamanduás-bandeira não eram comuns na região [de Amaporã], ocorrendo apenas às margens do córrego [rio] Paixão, onde eram perseguidos por caçadores com o intuito de defender seus cães domésticos” (Francisca B. Shueroff e Gabriel Khunen, com. pess., 2014).

Kozák et al. (1979) ao relatar suas experiências com os Índios Hetás na Serra dos Dourados, no noroeste do Paraná nos anos de 1955 e 1956, descrevem que “a caça do tamanduá-bandeira era perigosa e para a qual havia a cooperação de muitos homens”. Porém a foto na página 390, mostrando um jovem Hetá carregando um tamanduá, registra um tamanduá-mirim ou tamanduá-de-colete (Tamandua tetradactyla Linnaeus, 1758) e não M. tridactyla (“giant anteater”) como indica a legenda.

Registros de museus

A confirmação da ocorrência da espécie através de exemplares de museu ocorreu apenas em março de 1947, por um espécime coletado em Porto Santa Helena no rio Paraná (MHNCI 470) que foi doado pelo Sr. Moysés Lupion, então Governador do Estado, ao atual Museu de Historia Natural Capão da Imbuia (MHNCI). Um segundo exemplar (MHNCI 373) com a indicação de procedência como “Estado do Paraná, 11/1955”, foi doado ao MHNCI pelo Passeio Público de Curitiba (atual Zoológico de Curitiba).

Figura1.

Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), abatido no município de Paranavaí no ano de 1950. Foto: Acervo do Museu Histórico, Antropológico e Etnográfico de Paranavaí.

Em 1995 um macho procedente da fazenda Monte Alegre, municipio de Telêmaco Borba, foi doado ao MHNCI (MHNCI 3536). No ano de 2002, outro macho foi depositado no mesmo museu procedente do municipio de Piraí do Sul (MHNCI 4333), vítima de atropelamento na PR-090, próximo ao km 170 (Fig. 2). Em 2004 uma fêmea originária de Ponta Grossa foi encaminhada ao MHNCI pelo Zoológico de Curitiba (MHNCI 5060), assim como um macho atropelado na PR-151 em Sengés (MHNCI 5576). Em maio de 2006 um individuo atropelado foi registrado na localidade de Barra Mansa (MHNCI 6051) e em dezembro de 2007 outro individuo, também atropelado, no Horto Florestal São Nicolau (MHNCI 6582), ambas as localidades no municipio de Arapoti. Em dezembro de 2008, um novo macho foi depositado na coleção do MHNCI, atropelado na PR-151, no municipio de Jaguariaíva (MHNCI 6581).

O Museu Ecológico da Klabin Celulose — MEK conta com pelo menos seis exemplares da espécie, todos procedentes da fazenda Monte Alegre, em Telêmaco Borba. Esses indivíduos foram mortos por atropelamento entre os anos de 1989 e 1996 (Ralf Andreas Berndt, com. pess., 2000).

Demais registros

No Parque Estadual de Vila Velha, município de Ponta Grossa, no ano de 1983 um tamanduá-bandeira foi encontrado morto por atropelamento na rodovia BR 376 que corta o parque (Fernando C. Straube, com. pess., 1999). No ano de 1984 foram registradas pegadas na área do parque (Borges, 1989). Na fazenda Santa Mônica, também em Ponta Grossa, em uma entrevista realizada com o proprietário no mês de novembre de 2009, o mesmo informou que: “[os tamanduás-bandeira] eram vistos com pouca frequência nos campos e capões de araucária” e que as últimas observações datam da década de 1980.

Figura2.

Macho de tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) atropelado na PR-090, em Piraí do Sul, no mês de novembro de 2002, e depositado no Museu de Historia Natural Capão da Imbuia (MHNCI), em Curitiba. Foto: Fernanda Góss Braga.

Em Jaguariaíva, município próximo a Ponta Grossa, a espécie era frequentemente vista transitando entre os talhões de pinus na Pisa Florestal (Lima, 1993). No Parque Estadual do Cerrado (PEC), ainda em Jaguariaíva, vários registros de campo foram obtidos entre 1999 e 2001 (observação de campo: Fernando C. Straube & Alberto Urben-Filho, com. pess., 1998; Cassiano A. F. R. Gatto, com. pess., 15 de agosto de 1999; Sérgio A. A. Morato, com. pess., 1999; publicados: Silva et al., 2000; Braga & Vidolin, 2001).

Moradores antigos das cercanias do PEC relatam que os tamanduás-bandeira ainda ocorrem na região, sendo vistos com menor frequência nos últimos 15 anos (Fernanda G. Braga, obs. pess.). O proprietário da fazenda Vilar do Boi, também em Jaguariaíva, em setembro de 2011, afirmou que “a espécie era naturalmente rara em sua propriedade, sendo cada vez menos vista, mas ainda ocorre na região”. Monitoramentos mastofaunísticos realizados nas áreas de plantio de pinus pertencentes à Florestal Vale do Corisco Ltda. nos municipios de Jaguariaíva e Sengés registraram inúmeras vezes o tamanduá-bandeira entre os anos de 2003 e 2010 (Braga & Vidolin, 2005; Vidolin & Braga, 2005; Braga, 2010; Braga et al., 2010).

Relatos de moradores da fazenda Monte Negro no município de Piraí do Sul, vizinho a Jaguariaíva, informaram que há pouco mais de 15 anos os tamanduás ainda eram avistados regularmente e constantemente mortos por caçadores. Até a década de 1990, os tamanduás-bandeira eram “laçados”, como o gado, pelos fazendeiros e peões para serem fotografados junto às suas famílias. Essa prática deixou de ocorrer pela dificuldade de localização dos indivíduos remanescentes. Em fevereiro de 2002 um indivíduo foi observado transitando entre os capões (ilhas florestais com Araucária em meio às áreas de Campos) da fazenda Monte Negro. Em propriedade vizinha (fazenda 4N) foram feitos registros visuais e fotográficos de pelo menos três individuos distintos (Fernanda G. Braga, obs. pess.) (Fig. 3). Ainda em Piraí do Sul, no bairro Cavernas, um indivíduo, macho, foi encontrado no dia 15 de novembre de 2005 com ferimentos (Fig. 4) feitos por caçadores que invadiram uma propriedade rural (Vlamir J. Rocha, com. pess., 2014). Esse indivíduo foi levado pelo Batalhão de Polícia Florestal ao Parque Ecológico da Fazenda Monte Alegre, pertencente à Klabin S.A., onde recebeu atendimento. Mesmo tendo se recuperado das lesões não pôde voltar à natureza, permanecendo em cativeiro, onde faleceu anos mais tarde de causas naturais (Vlamir J. Rocha, com. pess., 2014).

Figura3.

Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) observado na fazenda 4N, município de Piraí do Sul, em setembro de 2002. Foto: Fernanda Góss Braga.

Figura4.

Indivíduo macho de tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), resgatado no bairro Cavernas, município de Piraí do Sul, em novembro de 2005: (A) e (B) detalhes dos ferimentos, (C) após a sua recuperação, em cativeiro. Fotos: Vlamir J. Rocha.

No municipio de Sengés, também vizinho a Jaguariaíva, a espécie era observada com certa freqüência até meados de 1990 na fazenda Tucunduva, e segundo os proprietários tornou-se rara devido aos atropelamentos constantes e à caça.

Em Wenceslau Braz, municipio vizinho a Sengés, um tamanduá-bandeira foi morto por caçadores no dia 7 de junho de 2014 (Sarrafo, 2014).

Na fazenda Santa Maria, no municipio da Lapa, a pouco mais de 50 km de Curitiba, os tamanduás--bandeira eram eventualmente observados transitando entre as áreas de Campos e capões de Floresta com Araucária, sendo que o último indivíduo conhecido foi abatido por um peão da fazenda na localidade de Casa Velha em 1985, em virtude de um ataque a um dos caes da fazenda. Segundo o mesmo peão “trata-se de um animal perigoso que persegue os caes, abraçando-os até a morte”. Moradores do distrito de Capão Bonito, no mesmo município, relataram a morte de um tamanduá-bandeira atacado por caes em setembro de 1999. A partir desta data nenhum outro M. tridactyla foi visto na localidade.

Na mesma região da Lapa, na localidade de Caiacanga, município de Porto Amazonas, a espécie era regularmente observada até o ano 2000, e constantemente abatida por caçadores ou fazendeiros em função de acidentes com cães domésticos. Em outro municipio vizinho, Balsa Nova, o tamanduá é citado para a chácara Payquerê, distrito do Bugre (Miranda et al., 2009).

Em Tibagi, mediante o uso de armadilhas fotográficas Hack & Krüger (2013) registrar am uma fêmea com filhote na fazenda Salto Cotia em março de 2011 e um individuo na fazenda Priotto em fevereiro de 2013. No municipio vizinho de Telêmaco Borba, a espécie era observada frequentemente na fazenda Monte Alegre. No período entre os anos de 1992 e 1996, foi vista em mais de 50 ocasiões, transitando entre áreas de plantio de pinus, eucaliptos e remanescentes de Floresta Ombrófila Mista (floresta com Araucária) (Ralf Andreas Berndt, com. pess., 2000). O tamanduá-bandeira ainda é observado na fazenda nos dias atuais, porém com aparente menor densidade (Pedro et al., 2005). As áreas plantadas com eucalipto e pinus nesta fazenda no passado caracterizavam-se como Campo natural (Pedro et al., 2005).

Persson & Lorini (1990) citam contato visual nos Campos de Palmas, próximo à divisa com Santa Catarina. A espécie também foi registrada no Parque Nacional de Ilha Grande, no rio Paraná (Mussara, 1994). No município de Fênix, onde já havia sido registrada sua presença historicamente, a espécie é citada como de ocorrência ocasional, com o último relato ocorrido no ano de 2003, pela observação de um indivíduo transitando em uma área de vegetação alterada (Rocha-Mendes et al., 2005).

No Parque Nacional do Iguaçu, no sudoeste do Paraná, pelos de tamanduá-bandeira foram encontrados em fezes de onça-pintada (Panthera onca) (Cândido-Jr. et al., 2003) e 19 registros fotográficos foram obtidos entre os anos de 2009 e 2013 (Silva, 2014).

Vidolin et al. (2004), ao analisarem autos de infração do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) entre janeiro de 1980 e maio de 2002, ressaltam a falta de critérios para a soltura de animais apreendidos, exemplificando com o relato da soltura de um exemplar de M. tridactyla em uma Reserva Particular do Patrimonio Natural (RPPN) no município de Lunardelli, em um ambiente, segundo os autores, atípico para a espécie.

Inegável assumir, também, que vários topônimos do Paraná levam o nome de “Tamanduá”, alusão que poderia ser atribuída a outra espécie (Tamandua tetradactyla), bem mais comum no Estado. Algumas delas, contudo, podem efetivamente indicar uma relação com o tamanduá-bandeira, por se encontrarem em regiões de dominio dos Campos e, também, onde existem registros atuais. Este é o caso das localidades “Tamanduá”: nos municipios de Clevelândia (Leão, 1924–1928), de Wenceslau Braz, essa à margem esquerda do arroio de igual nome e de Balsa Nova, na margem direita do rio Iguaçu (IBGE, 1950).

Considerações finais

Desde a primeira citação da presença do tamanduá-bandeira no Paraná, ocorrido em 1850, até 2014, foram resgatados 58 registros distribuídos em 38 localidades (Tabela 1; Fig. 5). A despeito dessas limitadas informações corológicas e censitárias sobre o tamanduá-bandeira no Paraná, pode-se deduzir que a espécie apresentava uma distribuição mais ampla do que aquela sugerida por Margarido (1995), segundo a qual a espécie “estaria restrita a áreas de Campos e a manchas de Cerrado do Segundo Planalto Paranaense”. Os 19 registros recentes (entre 2004 e 2014) em 15 localidades, contudo (Fig. 5), indicam que as populações remanescentes podem estar concentradas nessa região, razão pela qual a mesma pode ser considerada como área-chave para conservação do tamanduá-bandeira no Paraná.

Ao contrário do que é observado nas regiões setentrionais de sua distribuição, onde a espécie é relativamente abundante, os relatos históricos indicam uma baixa frequência da espécie no Paraná. Cronistas mais generalistas como Pereira (1942) citam o tamanduá-bandeira como “raros no territorio [paranaense]”, ou mesmo o de nao ser “abundante em parte alguma de sua distribuição [Brasil]” (Paula-Couto, 1946), especialmente no sul do Brasil (Silveira, 1969), afirmações contrapostas por Leão (1934), que informa superficialmente sobre a presença da espécie no Estado, indicando ser “abundante na fauna”.

Tabela 1.

Lista de localidades com registros da ocorrência de tamanduá-bandeira, Myrmecophaga tridactyla Linnaeus, 1758, no Estado do Paraná, Brasil. CER: Cerrado; CPO: Campo; FES: Floresta Estacional Semidecidual; FOM: Floresta com Araucária; VIF: vegetação de influência fluvial. MHNCI: Museu de História Natural Capão da Imbuia; MEK: Museu Ecológico da Klabin.

Continued..

A grande pressão antrópica e a baixa representatividade dos Campos e Cerrados em Unidades de Conservação municipais, estaduais ou federais são, possivelmente, as principais ameaças à conservação da espécie no Estado. Segundo Gregorini et al. (2007) a ocorrência real e potencial do tamanduá-bandeira no Paraná pouco coincide com as Unidades de Conservação (UC) de proteção integral, o que denota uma ampla fragilidade do sistema de UCs na manutenção de populações desta espécie e uma urgência na adoção de medidas para sua proteção.

Outro importante agente negativo sobre as populações de M. tridactyla no Brasil, a caça (Silveira, 1969; Leeuwenberg, 1997), parece não ocorrer no Estado (Vidolin & Moura-Britto, 1998) ao menos em uma escala expressiva. Todavia o abate de individuos em função de incidentes com cães domésticos é regularmente citado em diferentes localidades e regiães, indicando que tenha sido uma condição bastante comum, que certamente impactou as populações da espécie no Paraná.

Figura5.

Distribuição das localidades com registros de tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) no estado do Paraná, sul do Brasil. As informações geográficas de cada ponto podem ser encontradas na Tabela 1. CPO: Campos e Cerrado; FES: Floresta Estacional Semidecidual; FOD: Floresta Atlântica; FOM: Floresta com Araucária.

Igualmente relevantes e prejudiciais, os atropelamentos foram provavelmente comuns nas rodovias que cortam toda a extensão de ocorrência do tamanduá-bandeira no Paraná. Entre os 17 indivíduos constantes dos acervos museológicos citados neste trabalho, cerca de 65% (n=11) referem-se a animais atropelados, todos no Segundo Planalto Paranaense.

Também prejudicial é a atitude de alguns fazendeiros, que estariam deslocando tamanduás-bandeira do pantanal sul-mato-grossense e soltando-os em suas propriedades no norte e nordeste do Paraná, com o intuito de “repovoamento” (Rogério R. Lange, com. pess., 1998).

Por fim, conforme pautou Braga (2009), as informações apresentadas neste artigo, seriam necessárias para embasar futuros estudos de autoecologia e para nortear a quantificação das populações remanescentes. Desta forma o presente artigo apresenta informações bastante úteis, possibilitando assim a execução de medidas previstas no Plano de Ação para a conservação do tamanduá-bandeira no Paraná.

Agradecimentos

A Fernando C. Straube, Ralf Andreas Berndt, Rogério R. Lange, Vlamir J. Rocha, Gisley P. Vidolin, Cassiano A. F. R. Gatto, Sérgio A. A. Morato, José Carlos da Veiga Lopes, Sra. Francisca B. Schiroff, Liliani M. Tiepolo, Alberto Urben-Filho, Kátia Cassaro e Tereza Cristina C. Margarido que dispuseram muitas das informações apresentadas. A Vlamir J. Rocha e à Fundação Cultural de Paranavaí, na pessoa de Rosineide Sanga, pela disponibilização dos registros fotográficos utilizados no presente artigo. Gledson V. Bianconi, Fernando C. Straube, Fernanda Stender de Oliveira leram e fizeram inúmeras sugestões às versões iniciais deste trabalho.

Referências

1.

F. Achaval , M. Clara & A. Olmos . 2004. Mamíferos de la República Oriental del Uruguay: una guía fotográfica. Imprimex, Montevideo. 176 pp. Google Scholar

2.

J. M. Aguiar & G. A. B. Fonseca . 2008. Conservation status of the Xenarthra. Pp. 215–231 in: The biology of the Xenarthra ( S. F. Vizcaíno & W. J. Loughry , eds.). The University Press of Florida, Gainesville. Google Scholar

3.

J. Angely 1956. Estudo histórico das coleções botânicas do Paraná (Brasil). Boletim do Instituto Paranaense de Botânica 2: 3–9. Google Scholar

4.

A. W. Bertoni 1914. Fauna Paraguaya, catálogos sistemáticos de los vertebrados del Paraguay: peces, batracios, reptiles, aves y mamíferos conocidos hasta 1913. Establecimiento Gráfico M. Brossa, Asunción. 86 pp. Google Scholar

5.

T. P. Bigg-Wither 1968. Pioneering in south Brazil: three years of forest and prairie life in the Province of Paraná. Reprint (1878). Greenwood Press, New York. 2 vol.: 378+326 pp. Google Scholar

6.

C. R. S. Borges 1989. Composição mastofaunística do Parque Estadual de Vila Velha, Ponta Grossa, Paraná, Brasil. Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Paraná, Curitiba. 358 pp. Google Scholar

7.

F. G. Braga 2009. Plano de conservação para o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla). Pp. 14–30 in: Planos de ação para espécies de mamíferos ameaçados (Instituto Ambiental do Paraná, ed.). IAP, Curitiba. Google Scholar

8.

F. G. Braga 2010. Ecologia e comportamento de tamanduá-bandeira Myrmecophaga tridactyla Linnaeus, 1758, no municipio de Jaguariaíva, Paraná. Tese de Doutorado, Universidade Federal do Paraná, Curitiba. 104 pp. Google Scholar

9.

F. G. Braga & G. P. Vidolin . 2001. Ocorrência de tamanduá-bandeira, Myrmecophaga tridactyla, no Parque Estadual do Cerrado, Jaguariaíva, Paraná. P. 162 in: I Congresso Brasileiro de Mastozoologia (SBMz, ed.), Porto Alegre. Google Scholar

10.

F. G. Braga & G. P. Vidolin . 2005. Uso de ambientes por mamíferos em povoamentos florestais e remanescentes da formação original no municipio de Jaguariaíva, Paraná, Brasil. In: XX Jornadas Argentinas de Mastozoología (SAREM, ed.), Buenos Aires. Google Scholar

11.

F. G. Braga , R. E. F. Santos & A. C. Batista . 2010. Marking behavior of the giant anteater Myrmecophaga tridactyla (Mammalia: Myrmecophagidae) in southern Brazil. Zoologia 27: 7–12. Google Scholar

12.

J. F. Cândido-Jr. , A. R. D'Amico , M. Oliveira & J. Quadros . 2003. Registro de pelos de tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) em fezes de onça-pintada (Panthera onca) no Parque Nacional do Iguaçu, Paraná. P. 165 in: II Congresso Brasileiro de Mastozoologia (SBMz, ed.), Belo Horizonte. Google Scholar

13.

J. C. Chebez 1994. Los que se van. Ed. Albatros, Buenos Aires. 604 pp. Google Scholar

14.

J. J. Cherem , P. C. Simões-Lopes , S. Althof & M. E. Graipel . 2004. Lista dos mamíferos de Santa Catarina, sul do Brasil. Mastozoologia Neotropical 11: 151–184. Google Scholar

15.

T. Chrostowski 1912. Kolekcja ornitologiczna ptaków paranskich. Comptes Rendus de la Societé Scientifique de Varsovie 5: 452–500. Google Scholar

16.

J. A. Crespo 1982. Ecología de la comunidad de mamíferos del Parque Nacional Iguazú, Misiones. Revista del Museo Argentino de Ciencias Naturales Bernardino Rivadavia (Ecologia) 3: 45–162. Google Scholar

17.

M. A. Faria-Corrêa & F. S. Villela . 2003. Projeto tamanduás do Rio Grande do Sul: distribuição atual, ocorrência e ameaças a conservação do tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) e do tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) (Xenarthra: Myrmecophagidae) no Estado do Rio Grande do Sul. Pp. 155–156 in: II Congresso Brasileiro de Mastozoologia (SBMz, ed.), Belo Horizonte. Google Scholar

18.

C. S. Fontana , G. A. Bencke & R. E. Reis . 2003. Livro vermelho da fauna ameaçada de extinção do Rio Grande do Sul. EDIPUC, Porto Alegre. 632 pp. Google Scholar

19.

T. R. O. Freitas , G. L. Gonçalves , A. S. Cunha , J. F. Stolz & J. R. Marinho . 2009. Mamíferos. Pp. 209–223 in: Biodiversidade dos Campos do Planalto das Araucárias ( I. I. Boldrini , ed.). Série Biodiversidade n° 30. Ministério do Meio Ambiente, Brasília. Google Scholar

20.

A. L. Gardner 1993. Order Xenarthra. Pp. 63–68 in: Mammal species of the world: a taxonomic and geographic reference ( D. E. Wilson & D. M. Reeder , eds.). 2nd ed. Smithsonian Institution Press, Washington and London. Google Scholar

21.

A. L. Gardner 2008. Suborder Vermilingua. Pp. 168–177 in: Mammals of South America, Volume 1: marsupials, xenarthrans, shrews and bats ( A. L. Gardner , ed.). The University of Chicago Press, Chicago and London. Google Scholar

22.

M. Z. Gregorini , A. M. Rodolfo , J. F. Cândido- Jr . & N. M. Tôrres . 2007. Modelagem de distribuição geográfica do tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) e sua ocorrência em unidades de conservação no estado do Paraná. Pp. 1–3 in: VIII Congresso de Ecologia do Brasil (SBE, ed.), Caxambu. Google Scholar

23.

R. O. E. Hack & F. A. Krüger . 2013. Novos registros de Myrmecophaga tridactyla (Mammalia: Xenarthra) no Estado do Paraná, Brasil. Edentata 14: 70–73. Google Scholar

24.

IBGE — Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 1950. Vocabulário geográfico do Estado do Paraná. Série IEp3. Serviço Gráfico do IBGE, Rio de Janeiro. 148 pp. Google Scholar

25.

V. Kozák , D. Baxter , L. Williamson & R. L. Carneiro . 1979. The Héta indians: fish in a dry pond. Anthropological Papers of the American Museum of Natural History 55: 353–434. Google Scholar

26.

E. A. Leão 1924–1928. Diccionario historico e geographico do Paraná. Impressora Paranaense, Curitiba. 2594 pp. Google Scholar

27.

E. A. Leão 1934. Indice paranaense [ou] Supplemento [do] Diccionario historico e geographico do Paraná. Impressora Paranaense, Curitiba. 215+120 pp. Google Scholar

28.

F. Leeuwenberg 1997. Edentata as a food resource: subsistence hunting by Xavante Indians, Brazil. Edentata 3: 4–5. Google Scholar

29.

G. S. Lima 1993. Manejo e conservação de fauna silvestre em áreas de reflorestamento. Estudos de Biologia 34: 5–15. Google Scholar

30.

R. Maack 1968. Geografia física do Estado do Paraná. Universidade Federal do Paraná, Curitiba. 350 pp. Google Scholar

31.

M. Mares , R. M. Barquez , J. K. Braun & R. A. Ojeda . 1996. Observation on the mammals of Tucumán Province, Argentina. I. Systematics, distribution, and ecology of the Didelphimorphia, Xenarthra, Chiroptera, Primates, Carnivora, Perissodactyla, Artiodactyla, and Lagomorpha. Annals of Carnegie Museum 65: 89–152. Google Scholar

32.

T. C. C. Margarido 1995. Mamíferos ameaçados de extinção no Paraná. Pp. 5–45 in: Lista vermelha de animais ameaçados de extinção no Estado do Paraná ( M. P. G. Tossulino , ed.). Instituto Ambiental do Paraná e Deutsche Gesellschaft für Technische Zusammenarbeit, Curitiba. Google Scholar

33.

A. A. B. Marques , C. S. Fontana , E. Vélez , G. A. Bencke , M. Schneider & R. E. Reis . 2002. Lista das espécies da fauna ameaçadas de extinção no Rio Grande do Sul. Decreto n° 41.672, de 11 de junho de 2002. FZB/MCT-PUCRS/PANGEA, Publicações Avulsas FZB, n° 11, Porto Alegre. 52 pp. Google Scholar

34.

C. Mello-Neto 1996. O anarquismo experimental de Giovanni Rossi (de Poggio al Mare à Colônia Cecilia). Editora UEPG, Ponta Grossa. 296 pp. Google Scholar

35.

J. M. D. Miranda , R. F. Moro-Rios , J. E. Silva-Pereira & F. C. Passos . 2009. Mamíferos da Serra de São Luiz do Purunã: guia ilustrado. USEB, Pelotas. 263 pp. Google Scholar

36.

F. Miranda , A. Bertassoni & A. M. Abba . 2014. Myrmecophaga tridactyla. The IUCN Red List of threatened species. Version 2014.2. < http://www.iucnredlist.org/>. Consultada em 11 de agosto de 2014. Google Scholar

37.

M. Miretzki 1999. Bibliografia mastozoológica do Estado do Paraná, sul do Brasil. Acta Biologica Leopoldensia 21: 35–55. Google Scholar

38.

MMA — Ministério do Meio Ambiente do Brasil. 2008. Livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção. 2 Volumes. Fundação Biodiversitas, Belo Horizonte. 1420 pp. Google Scholar

39.

J. C. S. Muricy 1975. Viagem ao país dos jesuítas. Imprensa Oficial do Paraná, Curitiba. 406 pp. Google Scholar

40.

M. L. Mussara 1994. Relatório de impacto ambiental da usina hidrelétrica de Porto Primavera. Diagnóstico do meio biótico: meio aquático [Technical Report on the environmental impact of the Porto Primavera Reservoir]. Consórcio THEMAG/ENGEA/UMAH. 334 pp. Google Scholar

41.

R. M. Nowak 1991. Walker's mammals of the world. 5th ed. The Johns Hopkins University Press, Baltimore and London. 1629 pp. Google Scholar

42.

C. Paula-Couto 1946. Paleontologia brasileira — mamíferos. Instituto Nacional do Livro, Rio de Janeiro. 516 pp. Google Scholar

43.

W. A. Pedro , A. L. Peracchi , M. C. Motta & I. P. Lima . 2005. Ordem Xenarthra. Pp. 77–89 in: Mamíferos da Fazenda Monte Alegre — Paraná ( N. R. Reis , A. L. Peracchi , H. Fandiño-Mariño & V. J. Rocha , eds.). EDUEL/Klabin, Londrina. Google Scholar

44.

A. N. Pereira 1942. Aspectos meridionais do Brasil. Empreza Grafica Paranaense, Curitiba. 279 pp. Google Scholar

45.

V. G. Persson & M. L. Lorini . 1990. Contribuição ao conhecimento mastofaunístico da porção centro-sul do Estado do Paraná. Acta Biologica Leopoldensia 12: 277–282. Google Scholar

46.

K. H. Redford & J. F. Eisenberg . 1992. Mammals of the Neotropics, Volume 2. The Southern Cone: Chile, Argentina, Uruguay and Paraguay. The University of Chicago Press, Chicago and London. 430 pp. Google Scholar

47.

F. Rocha-Mendes , S. B. Mikich , G. V. Bianconi & W. A. Pedro . 2005. Mamíferos do município de Fênix, Paraná, Brasil: etnozoologia e conservação. Revista Brasileira de Zoologia 22: 991–1002. Google Scholar

48.

A. Saint-Hilaire 1978. Viagem a Curitiba e Provincia de Santa Catarina. Ed. Itatiaia, São Paulo. 208 pp. Google Scholar

49.

G. Sarrafo 2014. Morador denuncia caça predatória. < http://www.informepolicial.com/site/telaprincipal.php?tela=exibe_ noticia&id=10810> Consultada em 11 de agosto de 2014. Google Scholar

50.

F. Silva 1994. Mamíferos silvestres do Rio Grande do Sul. Fundação Zoobotânica, Porto Alegre. 244 pp. Google Scholar

51.

C. B. Silva , P. A. Nicola & L. C. M. Pereira . 2000. Ocorrência do tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) no Parque Estadual do Cerrado, Jaguariaíva, Paraná, Brasil. P. 554 in: XXIII Congresso Brasileiro de Zoologia (SBZ, ed.), Cuiabá. Google Scholar

52.

M. X. Silva 2014. Efetividade de áreas protegidas para a conservação da biodiversidade: padrões de ocupação de mamíferos no Parque Nacional do Iguaçu. Dissertação de Mestrado, Universidade de Sao Paulo, São Paulo. 44 pp. Google Scholar

53.

E. K. P. Silveira 1969. Historia natural do tamanduábandeira, Myrmecophaga tridactyla Linn. 1758, Myrmecophagidae. Velozia 7: 34–53. Google Scholar

54.

P. Smith 2007. FAUNA Paraguay handbook of the mammals of Paraguay 2. 18 pp. < http://www.faunaparaguay.com/mamm2Myrmecophagatridactyla.pdf>. Consultado em 25 de outubro de 2010. Google Scholar

55.

F. C. Straube & P. Scherer-Neto . 2001. História da ornitologia no Paraná. Pp. 43–116 in: Ornitologia sem fronteiras ( F. C. Straube , ed.). Sociedade Brasileira de Ornitologia e Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, Curitiba. Google Scholar

56.

G. P. Vidolin & F. G. Braga . 2005. Mastofauna em áreas de plantio de pinus e remanescentes naturais, Jaguariaíva, PR. P. 46 in: III Congresso Brasileiro de Mastozoologia (SBMz, ed.), Aracruz. Google Scholar

57.

G. P. Vidolin & M. Moura-Britto . 1998. Análise de informações contidas nos autos de infrações relativos a caça, cativeiro e comércio ilegal de mamíferos silvestres, Paraná — Brasil. Cadernos da Biodiversidade 1: 48–56. Google Scholar

58.

G. P. Vidolin , P. R. Mangini , M. Moura-Britto & M. C. Muchailh . 2004. Programa estadual de manejo de fauna silvestre apreendida — Estado do Paraná, Brasil. Cadernos da Biodiversidade 4: 37–49. Google Scholar

59.

A. Vieira-dos-Santos 1945. Chronologica, topographica e descriptiva da cidade de Paranaguá e seu Municipio. In: Memória histórica da cidade de Paranaguá e seu municipio ( A. Vieira-dos-Santos , ed.). Museu Paranaense, Curitiba. 407 pp. Google Scholar

60.

S. F. Vizcaíno , A. M. Abba & C. M. García-Esponda . 2006. Magnaorden Xenarthra. Pp. 46–56 in: Mamíferos de Argentina: sistemática y distribución ( R. M. Barquez , M. M. Díaz & R. A. Ojeda , eds.). SAREM, Tucumán. Google Scholar

61.

R. M. Wetzel 1982. Systematics, distribution, ecology, and conservation of South American Edentates. Pp. 345–375 in: Mammalian biology in South America ( M. Mares & H. H. Genoways , eds.). Special Publication Series, Pymatuning Laboratory of Ecology, University of Pittsburgh, Pittsburgh. Google Scholar
Michel Miretzki and Fernanda Góss Braga "Distribuição Histórica e Recente de Myrmecophaga tridactyla Linnaeus, 1758 (Pilosa, Myrmecophagidae) no Estado do Paraná, Brasil," Edentata 15(2014), 16-26, (1 December 2014). https://doi.org/10.5537/020.015.0113
Received: 16 August 2014; Accepted: 3 November 2014; Published: 1 December 2014
JOURNAL ARTICLE
11 PAGES


SHARE
ARTICLE IMPACT
Back to Top